sábado, 31 de março de 2012

domingo, 18 de março de 2012

HISTÓRIA SERTANEJA DO VALENTE ZÉ GARCIA




João Melchíades Ferreira da Silva

Nota. Este cordel de João Melchíades Ferreira da Silva foi muito deturpado ao longo da história e agora ganhou uma nova roupagem na reedição feita pela editora Luzeiro. Tivemos o cuidado de pegar uma das edições mais antigas para chegarmos o mais próximo possível do original. Abaixo segue a apresentação:

No início do cordel brasileiro, houve pouca preocupação com a questão autoral, por isso, é comum encontrar pessoas se apoderando da obra de outrem, como a velha conhecida história do Pavão Misterioso para citar aqui o caso mais famoso que envolve este autor.
O leitor da Luzeiro, atento que é, deve ter notado uma significativa mudança na roupagem do nosso material impresso nos últimos anos, pois cordel é literatura e como tal, merece um tratamento digno pela grandeza e beleza que possui.
A presente obra foi muito deturpada ao longo dos anos, e sem querer buscar culpados, mas tratar a história do cordel com zelo, fomos atrás de edições mais antigas onde descobrimos que até seu nome foi alterado de História sertaneja do valente Zé Garcia para História do valente sertanejo Zé Garcia. Assim, o personagem que é do Seridó passou a ser sertanejo, sendo que, quem é sertaneja é a história.
O título original tem um ritmo cadenciado próprio do cordel, o que não acontece na segunda nomeação, todavia isso não é o mais grave, o pior é a falta de respeito à memória do seu autor João Melchíades Ferreira da Silva.
No texto procuramos chegar o mais perto possível do original, pois a edição anterior estava eivada de equívocos, que um autor desse quilate dificilmente cometeria.
Uma das pioneiras na publicação do cordel, a Luzeiro tem o dever cultural de ficar atenta para que essa literatura seja cada vez mais respeitada e valorizada e a memória dos autores respeitada.
Neste clássico veremos o jovem José Garcia, vítima de calúnia, pela qual seu pai manda-o para a casa de um amigo a fim de livrá-lo da fúria do cangaceiro Militão que vai ao tenente João Garcia alegando que José teria mexido em sua filha. Como não devia nada, o rapaz só aceita viajar por obediência ao pai e não por medo de briga e acusações levianas.
Na casa do capitão Feitosa, Zé Garcia mostra que de fato é um homem destemido, pois além de excelente vaqueiro, o único capaz de enfrentar o touro “Saia Branca” temido por todos da região, se engraça por Primarosa, filha do coronel Cincinato, moça que ele carrega com a ajuda da filha de Feitosa para quem arruma um irmão seu para se casar com ela.
Eis, portanto um enredo cheio de tramas e confusões. Será que o amor triunfará? Vale a pena descobrir lendo mais essa fascinante história.

Varneci Nascimento
São Paulo, 2011.

PELEJA DO CEGO ADERALDO COM ZÉ PRETINHO DO TUCUM






A peleja do Cego Aderaldo com Zé Pretinho do Tucum, escrita por volta do ano de 1916, está entre os clássicos do cordel brasileiro. Apesar do preconceito, presente em toda narrativa, a obra ultrapassou esse limite, porque nela as pessoas veem que a cor da pele e a cegueira não são obstáculos para nenhum ser humano chegar aonde deseja. Todavia é necessário entender as circunstâncias em que a peleja foi concebida.
Não que justifique, mas na época, em que a obra foi escrita, o fim da escravidão ainda era recente na história do Brasil. Foram mais de três séculos de exploração servil, violência e assassinato. Várias gerações brancas oprimiram os negros, bem como milhões desses irmãos nasceram condenados a privação da liberdade. Daí porque, uma coisa entranhada por muitos séculos na cabeça das pessoas, aparece também na pena de Firmino.
Aos cegos também faltou apenas o trabalho forçado, mas quem tinha esta deficiência sempre foi condenado a viver trancado, vítima duas vezes, da cegueira e da indiferença. A sociedade, historicamente hipócrita, sempre lhe dispensou agressões, desrespeito e humilhações.
Por muito tempo atribuiu-se a autoria deste cordel ao próprio Cego Aderaldo, que nunca fez questão de desmenti-la. As duas personagens, tanto o Cego quanto o Zé Pretinho, são vítimas, dos mais nefastos preconceitos, um por conta da cegueira e o outro pelo fato de ser negro, respectivamente. Talvez o preconceito contido no texto fosse até inconsciente, porque enquanto o Cego não ganha a disputa, o negro é exaltado por todos os presentes na cantoria e Aderaldo, mesmo diz que para Zé Pretinho serviram um lauto jantar, a ele restou apenas um café e umas bolachinhas minguadas.
No início da cantoria o Cego Aderaldo começa a elogiar Zé Pretinho mas, este, se achando superior, por supostamente pensar que o cego está distante da cultura, como se a cegueira prejudicasse os outros sentidos, lhe ofende chamando de coxo, bruto, etc...
O guia de Aderaldo o alertou para que tomasse cuidado com o Zé Pretinho, talvez por isso, Firmino coloca na boca do Cego as seguintes palavras:

Então eu disse: — Seu Zé,
Sei que o senhor tem ciência —
Me parece que é dotado
Da Divina Providência!
Vamos saudar esse povo,
Com sua justa excelência!

Mas essas palavras elogiosas darão lugar a outras muito agressivas. Por isso, pesquisas mostram que perto do fim da vida, o cantador que usara rabeca, instrumento incomum na cantoria, teria pedido desculpas a comunidade negra, pelo seu cantar ofensivo. Todavia, se o Zé Pretinho tivesse existido, certamente, por uma questão de consciência moral, haveria de se redimir com os cegos, pelo seu tratamento rude.
O valor literário dessa obra é imensurável dada a sua capacidade de provocar reflexão em torno do preconceito. O professor pode usá-la na sala de aula no debate dessa chaga ainda presente em nossos dias. Avaliar a obra e não seu autor, é a prática coerente dos bons críticos, portanto se alguém disser que Firmino seja o que aparenta na peleja, pode cometer um erro. Questões a parte, este piauiense é considerado um dos grandes poetas do Brasil, a quem o cordel lhe rende homenagens.
A segunda história contida nesta publicação é a Peleja do Cego Aderaldo com Jaca Mole, este primo do Zé Pretinho. Como toda boa peleja segue na linha do desafio e demonstração de conhecimento de ambas as partes. Mais uma vez o Cego sai vitorioso.

Varneci Nascimento

A chegada de Lampião no inferno - Um Clássico do cordel

APRESENTAÇÃO

Nenhum personagem foi mais descrito pelo cordel do que Lampião. Sem sombra de dúvida, essa literatura ajudou a mistificá-lo, pois na linguagem cordeliana é o assombro do sertão. Dizem até que o poeta que se preza, terá dedicado ao menos uma obra ao cangaceiro. Encontramos viagens poéticas sobre ele no gracejo, ficção, bravura, crueldade, bondade, religiosidade, enfim centenas de títulos descrevem o homem temido e respeitado, amado e odiado por muitos.
Há quem diga que Lampião era líder de um movimento social, outros apenas um facínora da pior espécie. Confusões e distorções a parte, o certo é que existem clássicos a seu respeito que ultrapassam gerações e encantam leitores dos mais variados. Lembrando alguns citamos Os cabras de Lampião de Manoel D’Almeida Filho, considerada a melhor biografia de Virgulino e seu bando. Lampião o Rei do Cangaço de Antônio Teodoro dos Santos, e outro título interessante Lampião e sua história toda contada em versos de Antônio Américo de Medeiros.
Na ficção, são incontáveis as obras acerca do pernambucano que deu muito trabalho as volantes e que na visão do poeta Costa Senna, só foi possível, porque teria uma proteção misteriosa apontada em Lampião e o seu escudo invisível. A chegada de Lampião no céu de Rodolfo Coelho Cavalcante é mais um clássico; Lampião e Maria Bonita no Paraíso, tentados por satanás de Jotabarros; A chegada de Lampião no Purgatório de Luiz Gonzaga de Lima entre outros. No entanto, indubitavelmente o mais famoso, é este que tem a primeira estrofe bastante conhecida:

Um cabra de Lampião,
Por nome Pilão-Deitado,
Que morreu numa trincheira
Um certo tempo passado,
Agora pelo sertão
Anda correndo visão,
Fazendo mal-assombrado.

Pelo intróito percebemos que é uma ficção carregada de bravura, graça e poesia. José Pacheco, cônscio de sua arte, leva seu leitor a lê-lo avidamente, ansioso pelo desfecho. Descreve minuciosamente como se deu a visita do cangaceiro ao local conhecido por todos como do mal. Imagens como estas, reforçam cada vez mais que Virgulino Ferreira era tão valente que enfrentava até mesmo o diabo.
Neste mesmo folheto acompanha A grande briga de Lampião com a moça que virou cachorra. A peleja ocorre numa sexta-feira da Paixão, dia que, segundo a tradição cristã é de reflexão sobre a morte do Cristo, no entanto Lampião, valente que era não teria respeitado.
Na Peleja dum cantador de coco com o Diabo, o autor insere uma linguagem própria da embolada, e por destoar da tradição cordeliana, não contém suas características fundamentais, diferentemente do texto O prazer do rico e o sofrimento do pobre, que fecha esta publicação, onde Pacheco, mostra sua capacidade poética, numa síntese magistral da vida do rico e do pobre. Boa leitura a todos.

Varneci Nascimento
São Paulo - 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Geraldo Amâncio Pereira cantando num festival o assunto sorteado foi Michael Jackson e o poeta disse:

Na vida de Michael Jackson
Eu digo o que aconteceu
Não tinha fama arranjou
Era pobre enriqueceu
Era preto ficou branco
Mudou de cor e morreu.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Eu não queria ficar
Para não ter recaída,
Mas o seu beijo querida
Aguça o meu paladar,
Só ele pode afastar
Essa tão terrível dor
De um coração sofredor
Amoroso e delirante
O SEU BEIJO É UM CALMANTE
PRAS MINHAS CRISES DE AMOR.

Quando você esta perto
Eu oculto a minha mágoa
O seu beijo é como água
Pra refrescar meu deserto
Eu fico boquiaberto
Com seu corpo sedutor
Meu deserto tem calor
E sua boca é refrescante
O SEU BEIJO É UM CALMANTE
PRAS MINHAS CRISES DE AMOR.

Rafael Neto