terça-feira, 17 de agosto de 2010

Versos de Louro Branco

Cantador como eu ninguém num fez
Deus deixou pra mandar muito depois
Que se cabra for grande eu dou em dois
E se o cabra for médio eu dou em três
E se for bem pequeno eu dou em seis
Que a minha riqueza é bem total
Cantador como eu não nasce igual
Que ou nasçe mais baixo sou mais estreito
Repentista só canta do meu jeito
Se for fora de série ou genial.

Acho bonito o inverno
Quando o rio está de nado
Que o sapo faz oi aqui
Outro oi do outro lado
Parece dois cantadores
Cantando mourão voltado.


Cantando com VALDIR TELES, o colega perguntou onde LOURO residia e depois disse o seguinte:

QUALQUER DIA, MEU COLEGA
VOU CONHECER SUA CASA...

LOURO pegou na deixa e falou:

MEU CUMPADE, A MINHA CASA
É UMA CASA TÃO FEIA...
D'UM LADO É UM CEMITÉRIO
DO OUTRO LADO A CADEIA
D'UM LADO SE COME TERRA
DO OUTRO SE COME PEIA.

Noutra oportunidade, cantando à Natureza, disse:

Admiro a Natureza
Mar vomitando salinas
Lajedos de corpos nus
Com as pedras cristalinas
E as serras, túmulos rochosos
Onde Deus sepulta as minas

Noutra oportunidade, cantando com Sebastião da Silva, outro poeta de primeira grandeza, e falando da herança que deveria deixar para a família, saiu-se com essa:

No dia que eu morrer
Deixo a mulher sem conforto
Roupas em malas guardadas
E o chapéu em torno torto
E a viola com saudades
Dos dedos do dono morto.

4 comentários:

  1. Sou muito admirador dos versos de Louro Branco.

    Um forte abraço Lucas. São bento do una-pe

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  2. GERALDO ANÍZIO DE CAICÓ

    LOURO BRANCO EXCEPCIONAL REPENTISTA E POETA PROSADOR DAS ENPOEIRADAS SERTANEJAS. O CONHECI ANDANDO PELAS RUAS DE CAICÓ NO RIO GRANDE DO NORTE. FOI POR VOLTA DOS ANOS SETENTA. JÁ ERA MUITO FAMOSO POR PELOS VERSOS DELE E PELA AGUÇADA POESIA MESCLADA DE TROCADILHOS FENOMENAIS QUE ENCANTAM TODOS APRECIADORES DO REPENTE NORDESTINO.

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  3. O CASAMENTO DOS VELHOS
    Tem certas coisas no mundo
    Que eu morro e num acredito
    Mas essa eu conto de certo
    Dum casamento bonito
    De um viúvo e uma viúva
    Bodoquinha Papaúva
    E Tributino Sibito

    O véio de oitenta ano
    Virado num estopô
    A véia setenta e nove
    Maluca por um amor
    Os dois atrás de esquentar
    Começaram a namorar
    Porque um doido ajeitou

    Um dia o véio comprou
    Um corpete pra bodoquinha
    Quando a véia foi vestir
    Nem deu certo, coitadinha
    De raiva quase se lasca
    Que o corpete tinha as casca
    Mas os miolo num tinha



    No dia três de abril
    Vêi o tocador Zé Bento
    Mataram trinta preá
    Selaram oitenta jumento
    Tributino e Bodoquinha
    Sairam de manhazinha
    Pra cuidar do casamento

    O veião saiu vexado
    Foi se arranchar na cidade
    Mandaram chamar depressa
    Naquela oportunidade
    O veião chegou de choto
    Inda deu catorze arroto
    Que quase embebeda o padre

    O padre ai perguntô:
    Seu Tributino, o que pensa,
    Quer receber Bodoquinha
    Sua esposa, pela crença?
    O veião dixe: eu aceito
    Tô tão vexado dum jeito
    Chega tô sem paciência

    E preguntô a Bodoquinha:
    Se aceitar esclareça
    A véia lhe arrespondeu
    Dando um jeitim na cabeça
    Aceito de coração
    Tô cum tanta precisão
    Tô doida que já anoiteça

    Casaram, foram pra casa
    Comeram de fazer medo
    Conversaram duas horas
    Uns assuntos duns segredo
    E Bodoquinha dixe: agora,
    Meu pessoá, vão embora
    Que eu quero drumi mais cedo

    O véi vestiu um pijama
    Ficou vê uma raposa
    A véia de camisola
    Dixe: óia aqui sua esposa
    Cuma é, vai ou num vai?
    O veião dixe: ai, ai, ai
    Já tá me dando umas coisa

    A véia dixe me arroche
    Cuma se novo nóis fosse
    O véio dixe: ê minha véia
    Acabou-se o que era doce
    A véia dixe: é assim?
    Então se vai dar certim
    Que aqui também apagou-se

    Inda tomaram uns remédio
    Mas num deu jeito ao enguiço
    De noite a véia dizia:
    Mas meu véi, que diabo é isso?
    Vamo vendê essa cama
    Nóis sempre demo na lama
    Ninguém precisa mais disso

    A véia dixe: isso é triste
    Mas esse assunto eu esbarro
    Eu já bati o motor
    Meu véi estrompou o carro
    Ê, meu veião Tributino
    Nóis dois só tem um menino
    Se a gente fizer de barro.

    Fonde: Acorda Cordel



    Versos de Louro Branco

    Cantador como eu ninguém num fez
    Deus deixou pra mandar muito depois
    Que se cabra for grande eu dou em dois
    E se o cabra for médio eu dou em três
    E se for bem pequeno eu dou em seis
    Que a minha riqueza é bem total
    Cantador como eu não nasce igual
    Que ou nasçe mais baixo sou mais estreito
    Repentista só canta do meu jeito
    Se for fora de série ou genial.

    Acho bonito o inverno
    Quando o rio está de nado
    Que o sapo faz oi aqui
    Outro oi do outro lado
    Parece dois cantadores
    Cantando mourão voltado.


    Cantando com VALDIR TELES, o colega perguntou onde LOURO residia e depois disse o seguinte:

    QUALQUER DIA, MEU COLEGA
    VOU CONHECER SUA CASA...

    LOURO pegou na deixa e falou:

    MEU CUMPADE, A MINHA CASA
    É UMA CASA TÃO FEIA...
    D'UM LADO É UM CEMITÉRIO
    DO OUTRO LADO A CADEIA
    D'UM LADO SE COME TERRA
    DO OUTRO SE COME PEIA.

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  4. Titulo:
    Em nome de todos com gratidão, por você ter existido.
    01
    O nordeste estar de luto
    Pela a perca de um ser
    Da nossa humanidade
    Pra todos o bem querer
    Com a partida deste poeta
    Ficaram muitos sem entender
    02
    Pra melhor assim dizer
    Ele foi pro reino da gloria
    Deixando o seu legado
    Escrito em muitas historia
    Que Deus guarde ao seu lado
    Aqui guardamos na memória
    03
    Francisco Maia de Queiroz,
    Louro Branco o popular
    Um poeta e repentista
    Você pode me acreditar
    Foi um grande compositor
    O melhor em todo lugar
    04
    Nasceu em dois de setembro
    Em mil novecentos e quarenta e três
    Porém na Vila Feiticeiro
    Conto-lhe um pouco pra vocês
    O município foi Jaguaribe
    Na certeza não digo talvez
    05
    Louro Branco era um poeta
    Que encantava ao se apresentar
    Com seu bom humor e brincalhão
    E seu jeito de improvisar
    Começou aos dose anos
    Nunca mais quis parar
    06
    Cantou com os maiores repentistas
    De quatrocentos festivais participou
    Deixa setecentas composições.
    E só o ensino mediu estudou
    Entretanto as profissões exercidas
    Foi pescador, agricultor e vendedor.
    07
    Foi um vendedor ambulante
    Deram experiência e expressão
    Aliada a sua então sabedoria
    Na faculdade da vida teve formação
    Foi uns maiores ícones do repente
    Que deixou esse legado e recordação
    08
    Era uma rapidez de raciocínio
    Que nos causava admiração
    Louro Branco você e será
    Um ser da nossa recordação
    Aqui deixo o meu lamento
    Em nome de todos com gratidão


    Autor:
    Poeta Barbosa filho

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