quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

HABILIDADES LINGÜÍSTICAS





Ann Dowker Peter
E. Bryant
Universidade de Oxford


Investiga a relação entre as habilidades lingüísticas e a arte do
repente, em sujeitos repentistas (violeiros ou cantadores), poetas orais encontrados
no Nordeste do Brasil, muitos dos quais têm uma escolaridade
limitada. Vinte repentistas e dezoito não-repentistas com faixa etária, escolaridade
e nível sócio-econômico semelhantes foram examinados em um
conjunto de tarefas envolvendo produção de rimas, segmentação fonológica,
memória de listas de palavras e velocidade de leitura. Os repentistas produziram
um número de rimas quatro vezes superior aos não-repentistas, além de
apresentarem uma velocidade superior na produção da primeira rima. Nas
outras tarefas, os dois grupos de sujeitos não diferiram de modo significativo.
Assim, a habilidade dos repentistas parece ser ao mesmo tempo altamente
desenvolvida e especializada, Estas descobertas corroboram o ponto de vista de
que possam, haver dissociações entre rima e algumas outras habilidades
lingüísticas, como a segmentação fonológica, assim como aparentemente não
existe uma relação direta entre a educação formal e o desenvolvimento de
habilidades culturalmente informais.



A imagem convencional de um poeta é a de uma pessoa altamente
letrada e educada, que se senta a escrever versos, com uma prolongada e cuidadosa reflexão. A poesia, de acordo com essa
visão, é, predominantemente, uma forma escrita; as suas características
orais são secundárias. Apesar disso, há muitos poetas que compõem e
apresentam seus poemas oralmente, mesmo sendo completamente
incapazes de ler e escrever ou fazendo-o de modo muito limitado, o que,
ainda assim, não os impede de criar poesia altamente sofisticada. Este
estudo envolve um grupo desses poetas.

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