quarta-feira, 9 de junho de 2010

(Homenagem) Diniz Vitorino Morreu dia 05/06/2010.

EU CANTADOR
Diniz Vitorino

Eu sou o pássaro cantor,
a patativa de gola,
o colibri sem gaiola,
que, além da humanidade,
faz da garganta um piano,
para, nas verdes ramagens,
compor em versos selvagens,
as valsas da liberdade.

A cigarra da floresta
sempre foi minha irmã gêmea...
ela, a selvagem boêmia;
eu, o boêmio cantor.
Ela, cantando nos bosques,
eu, nos sertões ressequidos,
transformo feios gemidos
em liras puras de amor.

Sou um ídolo imortal.
Sou caboclo das mãos grossas.
Transformo humildes palhoças
em bonitos pavilhões.
Meu pinho, quando soluça,
deixa as mulatas tostadas,
estáticas, fulminadas
por circuitos de emoções.

É lindo cantar tranqüilo,
da maneira como canto,
sem incomodar-me tanto,
com fortunas obtusas,
e fazer d’alma um refúgio
para as ninfas virtuosas,
do peito um berço de rosas
para o repouso das musas.

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